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O mercado de fertilizantes como termômetro de mercado

Foto do escritor: rovermaq
rovermaq
23 de set. de 2020
6 min de leitura

Atualizado: 22 de set.

Entenda o cenário econômico da agronomia no Brasil e suas previsões



O mercado de fertilizantes como termômetro de mercado
O mercado de fertilizantes como termômetro de mercado

O mercado de fertilizantes passou por mudanças importantes nos últimos anos. A pandemia de Covid-19, os conflitos geopolíticos, as oscilações nos preços das commodities e os desafios logísticos expuseram uma questão que já era conhecida pelo agronegócio brasileiro: a forte dependência do país em relação aos fertilizantes importados.


Mas, passados os principais impactos da pandemia, o cenário do setor continua relevante por outro motivo: a demanda por fertilizantes permanece diretamente ligada ao crescimento da produção agrícola brasileira.


Em 2025, o agronegócio brasileiro apresentou crescimento de 12,2% em seu PIB, alcançando aproximadamente R$ 3,20 trilhões e representando 25,13% da economia brasileira, segundo dados do Cepea/Esalq-USP em parceria com a CNA.


Nesse contexto, entender a evolução do mercado de fertilizantes significa também compreender alguns dos principais desafios e oportunidades para o futuro da agricultura brasileira.


O Brasil continua entre os maiores consumidores de fertilizantes do mundo

O Brasil ocupa uma posição de destaque no consumo mundial de fertilizantes. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o país responde por aproximadamente 8% do consumo global, ficando entre os maiores consumidores do mundo. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% do consumo brasileiro.


E os números recentes mostram que a demanda continua elevada.

De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), entre janeiro e novembro de 2025 foram entregues 45,28 milhões de toneladas de fertilizantes ao mercado brasileiro, volume 7,8% superior ao registrado no mesmo período de 2024.


Esse crescimento é importante porque demonstra que, mesmo diante das oscilações do mercado, os fertilizantes continuam sendo um insumo essencial para a produção agrícola.


A demanda, portanto, não desapareceu com as crises recentes. Pelo contrário: ela acompanha a expansão da produção e a necessidade de aumentar a produtividade por área.


A dependência de fertilizantes importados continua sendo um desafio

Apesar da relevância do mercado brasileiro, existe uma contradição importante: o país é um dos maiores consumidores de fertilizantes do mundo, mas ainda depende fortemente de fornecedores externos.


Dados apresentados pela ANDA no Congresso Brasileiro de Fertilizantes de 2025 indicam que aproximadamente 85% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados. O mesmo levantamento aponta ainda desafios logísticos importantes: grande parte dos fertilizantes entra pelo Sul e Sudeste, enquanto uma parcela significativa do consumo está concentrada no Centro-Oeste.


Essa dependência torna o mercado brasileiro mais exposto às variações de preços internacionais, disponibilidade de matérias-primas, câmbio, custos de transporte e acontecimentos geopolíticos.


A pandemia evidenciou esse problema, mas não o criou.

A questão passou a fazer parte de uma discussão estrutural sobre a competitividade e a segurança da produção agrícola brasileira.


Por isso, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) estabelece, entre suas diretrizes, a modernização e ampliação da produção nacional, a redução da dependência externa e o aumento da oferta de fertilizantes orgânicos e organominerais.


Mais do que produzir mais: é preciso utilizar melhor os nutrientes

A discussão sobre o futuro dos fertilizantes não está limitada ao aumento da produção.


Um dos grandes desafios do setor é aumentar a eficiência de uso dos nutrientes, buscando produtos e tecnologias que permitam atender às necessidades das culturas de maneira mais eficiente.


Essa questão é especialmente relevante em um país de dimensões continentais como o Brasil, onde existem diferentes tipos de solo, condições climáticas e sistemas produtivos.


Nesse cenário, ganham espaço soluções voltadas à:

  • eficiência agronômica dos fertilizantes;

  • melhor aproveitamento de nutrientes;

  • redução de perdas;

  • desenvolvimento de fertilizantes especiais;

  • utilização de fontes alternativas de nutrientes;

  • aproveitamento de resíduos e subprodutos;

  • melhoria das características físicas dos fertilizantes;

  • desenvolvimento de produtos adequados às diferentes necessidades das culturas.


O próprio Plano Nacional de Fertilizantes estabelece como objetivo estimular produtos e processos tecnológicos capazes de aumentar a eficiência do uso agronômico dos fertilizantes e ampliar a utilização de novas fontes para a nutrição das plantas.


Fertilizantes organominerais ganham espaço

Entre as alternativas que vêm sendo estudadas e desenvolvidas no Brasil estão os fertilizantes organominerais, que combinam fontes orgânicas e minerais de nutrientes.


Além de fazerem parte das estratégias previstas no Plano Nacional de Fertilizantes, esses produtos despertam interesse por sua possibilidade de integrar nutrição mineral, aproveitamento de materiais orgânicos e estratégias de melhoria da eficiência da fertilização.


Pesquisas realizadas pela Embrapa e instituições parceiras também mostram resultados relevantes para determinadas condições de solo e cultivo.


Em um estudo publicado na Pesquisa Agropecuária Brasileira, por exemplo, a utilização de fertilizantes organominerais e minerais contribuiu para alterações na disponibilidade de nutrientes e produtividade de milho, além de apresentar efeitos residuais em determinadas condições experimentais.


Isso não significa que um tipo de fertilizante seja universalmente superior a outro. A eficiência depende de fatores como cultura, solo, dose, formulação e manejo.


O ponto central é outro: o desenvolvimento de novas formulações pode ampliar as possibilidades de manejo da fertilidade do solo e de utilização mais eficiente dos nutrientes.


O crescimento do mercado também cria oportunidades para a indústria

O aumento da demanda por fertilizantes traz uma consequência direta: existe espaço para investimentos não apenas na produção dos nutrientes, mas também em toda a cadeia de transformação, processamento e distribuição.


Isso inclui tecnologias e equipamentos relacionados a processos como:

  • mistura e formulação;

  • granulação;

  • secagem;

  • peneiramento;

  • classificação;

  • transporte;

  • armazenamento;

  • recuperação e reaproveitamento de materiais.


A qualidade física do fertilizante também é importante para o desempenho do produto durante armazenamento, transporte e aplicação.


No caso dos fertilizantes granulados, por exemplo, características como tamanho das partículas, resistência mecânica e uniformidade da granulação podem influenciar o comportamento do produto ao longo da cadeia.


É nesse ponto que equipamentos e processos industriais passam a ter um papel estratégico: não basta desenvolver uma nova formulação; é necessário também encontrar processos capazes de transformar essa formulação em um produto comercialmente viável e adequado às necessidades do mercado.


Logística: um desafio que continua no centro da discussão

Outro fator que merece atenção é a logística.


A produção agrícola brasileira está cada vez mais concentrada em regiões distantes dos principais portos e centros de entrada de fertilizantes. Ao mesmo tempo, a cadeia brasileira ainda enfrenta limitações relacionadas à infraestrutura de transporte, armazenagem e distribuição.


O próprio diagnóstico do Plano Nacional de Fertilizantes aponta desafios relacionados à dependência do transporte rodoviário, custos de navegação, eficiência portuária e utilização ainda limitada do transporte ferroviário.

Isso significa que competitividade não depende apenas do preço do fertilizante.


Ela também está relacionada à capacidade de produzir, processar, transportar e disponibilizar o produto de maneira eficiente.


O que esperar do mercado de fertilizantes?

Os próximos anos devem ser marcados por uma combinação de crescimento da demanda e busca por maior eficiência.


De um lado, o Brasil continua expandindo sua produção agrícola e permanece entre os maiores consumidores mundiais de fertilizantes.


De outro, o país precisa reduzir sua vulnerabilidade às oscilações do mercado internacional e desenvolver uma cadeia de produção mais competitiva e resiliente.

Nesse cenário, algumas tendências devem ganhar cada vez mais importância:


1. Produção nacional

A redução da dependência de importações deve continuar sendo uma prioridade estratégica para o setor.

2. Fertilizantes especiais e organominerais

Novas formulações podem atender necessidades específicas de culturas e solos, além de contribuir para estratégias de maior eficiência no uso dos nutrientes.

3. Eficiência agronômica

O foco tende a passar cada vez mais de "usar mais fertilizante" para "usar o fertilizante de maneira mais eficiente".

4. Economia circular

O aproveitamento de resíduos e subprodutos para a produção de fertilizantes pode abrir novas possibilidades para a indústria.

5. Tecnologia de processamento

A evolução das formulações também exige equipamentos e processos capazes de produzir fertilizantes com características físicas adequadas e em escala industrial.

6. Logística e infraestrutura

A localização das plantas industriais, os sistemas de transporte e a capacidade de armazenamento continuarão sendo fatores importantes para a competitividade.

Um mercado em transformação


O mercado brasileiro de fertilizantes já não pode ser analisado apenas pela perspectiva do preço dos insumos ou do volume consumido.

A discussão envolve segurança alimentar, produtividade, dependência externa, sustentabilidade, tecnologia, indústria e logística.


Os dados mais recentes mostram que a demanda permanece forte: as entregas de fertilizantes no Brasil cresceram 7,8% entre janeiro e novembro de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024.


Ao mesmo tempo, o país continua buscando formas de aumentar sua produção nacional e desenvolver soluções capazes de melhorar a eficiência da nutrição vegetal.


Para a indústria, isso representa um cenário de transformação — e também de oportunidades.


O futuro do mercado de fertilizantes não estará apenas em produzir mais. Estará em produzir melhor, utilizar melhor os recursos e desenvolver soluções cada vez mais adaptadas às necessidades da agricultura brasileira.

Quer entender melhor essa transformação?

Os fertilizantes organominerais estão entre as alternativas que vêm ganhando espaço no desenvolvimento de uma agricultura mais eficiente e na busca por novas soluções para a nutrição das plantas.

Continue a leitura e entenda o crescimento dos fertilizantes organominerais e suas aplicações no mercado brasileiro.

Fontes

  • Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) — Plano Nacional de Fertilizantes.

  • Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) — Plano Nacional de Fertilizantes e CONFERT.

  • Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) — Principais Indicadores do Setor de Fertilizantes, 2025.

  • Cepea/Esalq-USP e CNA — PIB do Agronegócio Brasileiro, 2025.

  • Embrapa — estudos sobre fertilizantes organominerais e fertilidade do solo.

  • Comex Stat / MDIC — estatísticas oficiais de comércio exterior.

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